BIO

Sou fruto de uma sociedade complexa, geneticamente miscigenada, politicamente segregada, diaspórica, multicultural, em constantes transformações, que refletem em mim, de forma viva, seus traços, dos quais me aproprio ou não por meio de processos identitários complexos. Dessa maneira, também acontece com a minha produção de conhecimento, seja na minha vida pessoal, no campo da produção artística, da pesquisa acadêmica ou no ensino de música. Esse é Luan Sodré, um afrodiaspórico em constante movimento.

Nasci e fui criado em Salvador, na comunidade do Calabar, que, embora esteja situada em uma parte central da cidade, próxima a orla marítima e rodeada por bairros onde reside uma elite econômica soteropolitana, tem características típicas das periferias. O bairro do Calabar faz limites não muito precisos com a comunidade do Alto das Pombas. Essas duas localidades muitas vezes podem ser entendidas como uma só, um grande complexo. Ambos os bairros têm uma rica e vibrante vida artístico-cultural, centrada em expressões e tradições músico-culturais afro-brasileiras, a destacar o samba duro ou samba junino – Patrimônio Cultural de Salvador, as rodas de samba e o pagode baiano.

  Enquanto instrumentista, são múltiplas as influências, identificações e tensões que têm orientado a minha trajetória de formação musical. Desde antes de tocar um instrumento já estava sendo formado pelo convívio e a relação que tinha com a música a partir da minha família e do meu bairro.

Aos 12 anos, ganhei o meu primeiro violão e logo comecei a tocar observando os outros. Continuei este processo de aprendizagem buscando informações em revistas de música, com colegas, mas nada formal até então. Fiz algumas aulas com o músico Augusto Conceição. Eu tocava principalmente o pagode baiano e os diversos tipos de sambas, que eram as músicas que convivia em meu bairro, além do pop/rock brasileiro que conheci através do rádio e das revistinhas de cifras.

     Aos 14 anos, fui estudar no Colégio Estadual da Bahia – Central, onde tive a oportunidade de participar da classe de música da professora Silmária Neves. Em seguida, ingressei no Coral Juvenil da UFBA, dirigido pela professora Leila Dias.

 

Aos 18 anos, entrei no curso de Licenciatura em Música da UFBA e comecei a minha jornada acadêmica, seguindo posteriormente para o mestrado e doutorado, na mesma instituição.

Mesmo estando inserido em contextos escolares de ensino, a aprendizagem fora da escola continuou contribuindo para a minha formação. Neste período já tocava em alguns grupos de Samba Partido Alto, Pagode e Samba de Roda. Costumava frequentar a casa de alguns músicos, principalmente do contexto do samba, para eles me “passarem uns toques”, essa era uma expressão comum. Ia nas rodas de samba, de choro, apresentações de jazz e ficava com o olhar fixo nos violonistas e guitarristas tentando “sugar” alguma coisa, outra expressão utilizada entre os músicos. Essa outra escola trouxe elementos fundamentais para a minha constituição enquanto músico, além de ter contribuído com traços que integram a minha identidade musical, inclusive agregando valores que não estavam presentes nos outros contextos de aprendizagem onde eu estava inserido.

   Enquanto professor de música, leciono desde os 14 anos, quando tive o meu primeiro aluno particular de violão. De lá até aqui nunca parei de ensinar música. Nessa trajetória trabalhei em inúmeras escolas de música na cidade Salvador, projetos sociais, escolas de ensino básico da rede privada, Rede Municipal da cidade São Francisco do Conde -Ba, Instituto Federal da Bahia – IFBA/Campus Eunápolis. E atualmente atuo no curso de Música da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Na pesquisa meus interesses sempre estiveram relacionados ao campo da música, cultura e sociedade, com foco no ensino e aprendizagem de música.

     Enquanto músico, além de dirigir e integrar o Luan Sodré Trio, integrei a Orquestra de Violões da UFBA. E dentre outros trabalhos, em 2018, fiz direção musical e gravei violões e cavaquinhos do disco Voa Voa Maria – O samba de Matarandiba. E em 2021 lanço o meu primeiro projeto como artista independente, o Afrodiaspórico do Luan Sodré Trio.